segunda-feira, março 19, 2007

Para que serve o humor? (3 de 3)

perguntas e algumas respostas provisórias

Podemos fazer piadas preconceituosas?
Poder, podemos, sou contra qualquer tipo de patrulamentro ideológico. Mas acho importante a consciência de que esse é um gênero de humor meio covarde, que atira em alguns e que poupa outros. Sem contar que não leva à reflexão, pelo contrário – quer dizer, talbvez pelo contrário não estou bem certo de que isso pode acontecer, mas corre-se o risco de se perpetuar estereótipos e rótulos. Estamos dispostos a correr esse risco?

Qual deve ser a postura do humorista?
De humildade, sempre, e de respeito à vítima da troça, ainda que ela esteja sendo feita de ridículo. Nesse caso, o respeito se demonstra pela “autoridicularização” (palavra difícil e feia, acho que nem existe) do humorista, que está sempre abaixo, no máximo no mesmo nível, do objeto da piada.

Qual é o humor para os dias de hoje?
Considerando que o humor em seu nível máximo provoca o riso e a reflexão, é hilário e destruidor... Não sei. Talvez a câmera escondida e o falso documentário de Borat, talvez algo que ainda vá surgir. Com o perdão da frase caetânica, a única coisa certa é o incerto. Se há crise de modelos em todos os campos (político, econômico, social, cultural e tal e cousa e lousa e mariposa), por que seria diferente no campo humorístico?

Um complicador é que os inimigos a serem desnudados ainda não estão suficientemente claros. O poder, alvo histórico do humor, não tem mais uma cara definida: não é o rei do bufão, não é o político do chargista. Seriam talvez as corporações, as pseudo-celebridades, toda uma gama de valores representada pela sociedade de consumo? Como simultaneamente provocar o riso, chamar à reflexão e causar o choque que as denuncia? Quem é o representante do humor dessa nova época? Seriam os documentários de Michael Moore (são de uma seriedade engraçada, vai...)? O falso documentário de Borat? A câmera escondida do Pânico – vista, claro, em seus melhores momentos, de ridicularização das celebridades? E qual o paple do humor clássico nessa renovação? Eu, que dou risada de tudo, me sinto meio bobo encerrando o texto com tantas perguntas, mas sinto que é o máximo que dá para fazer enquanto não temos um cheiro melhor das respostas.

sexta-feira, março 16, 2007

Para que serve o humor? (2 de 3)

As funções do humor
A função mais específica do humor/comédia é propiciar um momento de felicidade às pessoas. Algo, diríamos com algum verniz erudito, “para amainar a faina do viver”. Humildemente, é o que tento fazer aqui na Mundo Estranho. Uma outra função, muito mais ambiciosa, é de que a comédia provoque algo mais que o riso – que ela mova um grão de areia, disse o Luiz Alberto de Abreu, que ela mude o mundo, digo eu. Se essa função fica reservada para os clássicos (hoje já tá suficientemente difícil fazer as pessoas rirem, que dira mudar o mundo), acho que ela ajuda a entender o alcance social da comédia: dizer verdades indizíveis por outras maneiras, fazer uma crítica ampla, geral e irrestrita da sociedade em que se insere.

O riso pelo preconceito
Nesse sentido, o humor dito “preconceituoso” (zoar negros, gays, português etc.) é um humor covarde – covarde porque demole, espezinha, rebaixa alguns enquanto poupa outros (brancos, héteros, não-portugueses etc.). O humor matador é o que destrói tudo e todos, sem preservar grupo ou classe social, revelando o ridículo da vida – justamente por isso, levando à reflexão sobre ela!

Para rir com sem rir de
O segredo do palhaço, explicou Hugo Possolo, dos ator e fundador dos Parlapatões, é estar no mesmo plano do espectador. Trata-se não de expor ao ridículo mas de compartilhar o ridículo. Caso contrário, o que a gente tem é humilhação (rir de) e não humor (rir com).

Borat X Pânico
Exemplo? Para mim, essa distinção fica clara na comparação Borat X Pânico. Ambos compartilham a mesma técnica da câmera “escondida”, da confrontação e do falso documentário, mas a atitude é bem diferente. Quando Borat expõe ao ridículo (e como expõe!), o mais ridículo ainda é o personagem limítrofe, folclórico e propositadamente preconceituoso criado pelo Sacha Baron Cohen. Talvez por isso a crítica que o filme transpira (da xenofobia ao feminismo, dos bons costumes ao humor domesticado) seja tão demolidora.

Pânico, ao contrário, escorrega quando provoca: no último domingo, me lembro dos caras entrevistando uma manicure superhumilde perguntando a ela por que ela não raspava o próprio bigode. Uma agressão gratuita que tá mais para regra do que exceção no programa – tanto que é quase impossível ver um quadro deles sem sentir aquela sensação de vergonha alheia pela vítima. Prejudicada pela humilhação, a crítica têm sua força diluída: opressores e críticos da opressão igualam-se apelando ao mesmo recurso.

quarta-feira, março 14, 2007

Para que serve o humor? (1 de 3)

Para que serve o humor? Na tentativa de responder a essa pergunta, o grupo teatral Parlapatões criou um ciclo de leituras de peças cômicas, chamado de Avesso da Comédia / Comédia do Avesso. A idéia é apresentar pequenas obras de dez autores consagrados (nomes e datas no fim do post), discutindo-os posteriormente com o autor e a platéia tentando responder à pergunta que inicia este texto: para que serve o humor? Fui ao encontro de abertura e achei imperdível.

O autor Luiz Alberto de Abreu trouxe três textos de humor a partir de três suportes diferentes: o humor no melodrama (exageros tipo Joseph Klimber), o humor na cultura popular (bebendo na fonte do grotesco, do exagero, do uso de palavrões etc.), o humor nonsense (Monty Phyton e quetais). Na leitura dramatizada por atores, ficou tudo bem engraçado.

Já gostei dessa primeira parte, fiquei prestando atenção nos recursos que o cara usou para fazer graça em cada um dos gêneros. Acho que as classificações em geral e, nesse caso específico, em gêneros dramáticos, ainda que sejam abstrações didáticas, ajudam a pôr ordem no caos, a ordenar melhor nossas idéias e, no exemplo específico do humor, criar textos mais engraçados (não acredito muito em texto intuitivo, nem os humorísticos). Mas o melhor veio depois, quando o autor Abreu e o ator dos Parlapatões Hugo Possolo conduziram o debate sobre humor.

Teorizar sobre humor? Por incrível que pareça, não foi nada patético, nada que lembrasse aquele quadro hilário da TV Pirata, o “Piada em Debate”. Discutiu-se, basicamente, a função da comédia e a crise da comédia atual – acho que isso tem validade, sim. Nos próximos posts, gostaria de dividir algumas idéias com vocês sobre isso. Por enquanto, a programação. Tudo grátis, é só chegar e assistir:

Março
12 Luís Alberto de Abreu
26 Noemi Marinho

Abril
9 Flávio de Souza
23 Jandira Martini

Maio
7 Naum Alves de Souza
21 Hugo Possolo

Junho
4 Mário Viana
18 Aimar Labaki

Julho
9 Mário Bortolotto
23 Juca de Oliveira

Espaço Parlapatões – Praça Roosevelt, 158. Sempre às segundas, 21h. Tel 3258-4449

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Carnaval na Sapucaí

[Aos meus dois leitores, perdão pelo off topic]

Jurados de carnaval são seres incompreensíveis. Alguns, pelo menos. Estive na Sapucaí nos dois dias de desfile, realizando um sonho de criança – quando pequeno, eu costumava comprar os discos dos sambas-enredo e anotar em planilhas as notas para todas as escolas. Talvez isso revele explique um pouco da minha esquisitice... Anyway, eu devo ter visto outro desfile. Eu e a torcida do Flamengo: escolas que conquistaram o público se deram mal na classificação final. Nem estou falando do surrado “ah, não tem critério que meça empolgação da torcida, samba no pé”. Os caras viajaram mesmo em critérios técnicos. Só isso explica as seguintes bizarrices:

Salgueiro Lindo carnaval old school, luxuoso, puta samba bacana. A melodia afro, puxada pelo Quinho, empolgou. Fantasias e alegorias, as mais bem acabadas de todas as escolas, perderam 0,6 ponto na apuração. O samba-enredo perdeu 0,3. Esses e outros décimos perdidos tiraram a escola do desfile das campeãs. Uma injustiça

Por outro lado, a Portela, com um samba chapa-branca sobre o Pan, tirou nota máxima no quesito. As alegorias e fantasias (previsíveis e mal acabadas) eram de longe as piores do desfile. Coisa de escola de samba de Sacramento (MG), como bem observou minha namorada. Tá certo, a águia perdeu 1,4 ponto em alegoria e 0,7 em fantasia. Mas foi pouco, acreditem – em um dos carros, os caras ficaram com preguiça de fazer acabamento na traseira e simplesmente imprimiram um megabanner da seleção de vôlei para disfarçar). Não me entendam mal que eu adoro a azul e branco de Osvaldo Cruz, mas faz tempo que a escola apela com esses enredos vendidos.

Paulo Barros, da Viradouro e ex-Tijuca, é gênio. Suas alegorias vivas perderam 0,9 ponto na Viradouro. A mesma tendência, seguida pela Tijuca, foi tungada em 0,6 ponto.

Aliás, taí duas escolas supersimpáticas, sem medo de ousar e de ser feliz. Que desfiles divertidos! Torço por ambas – mais pela Tijuca, na verdade, que não recebe ajuda da prefeitura como ocorre com a Viradouro em Niterói.

E o Império, ah... Nesses tempos de perfeição formal, o rebaixamento não chegou a ser injustiça – O Globo resumiu bem: “muito samba no pé e problemas técnicos”. Mas sua bateria, a “sinfonia do samba”, só não fez chover na avenida. Tanta bossa, tanta paradinha, coisa de arrepiar. E os componentes eram os mais aguerridos. Bom, dá para ver que essa é a minha escola de coração... Só espero que consiga passar pelo hipercompetitivo Grupo de Acesso, onde o filho chora e a mãe não ouve.

Em tempo: a vitória da Beija-Flor me pareceu justa. Irritantemente justa.

Aliás, já que ninguém perguntou, aí vai o meu Top 10 das escolas na Sapucaí. Fonte: minha subjetividade. Esclarecendo que não vi a Porto da Pedra, nem a Vila, nem a Beija:

1- Tijuca
2- Salgueiro
3- Viradouro
4- Mangueira
5- Império
6- Imperatriz
7- Mocidade
8- Grande Rio
9- Estácio
10- Portela

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

À Procura da Felicidade

Não a nossa, mas a do filme estrelado por Will Smith. Assisti nesse fim de semana e não consegui deixar de pensar como o personagem vivido pelo Smith (história baseada em fatos reais, o que torna, pelo menos em tese, as coisas ainda mais dramáticas) nâo consegue se comunicar. Comunicar, aqui, no sentido freireano de "pôr-se no lugar do outro".

Resuminho para quem não tem idéia do que estou falando: Chris Gardner (Smith) leva uma vida cheia de privações, ganha pouco como vendedor, investiu no produto errado. Mas é inteligente e aposta em um período de seis meses como estagiário não remunerado de uma corretora na bolsa. Aprovado,(um entre 20 o são), há promessa de tranqulidade financeira. Até que isso aconteça, o cara passa por (como é que se diz mesmo?) poucas e boas...

Despejado, preso, abandonado pela mulher e com um filho de seis anos para sustentar, chega a dormir em banheiros do metrô, faz fila para lutar com os sem-teto por uma vaga no albergue de Glide. Pois bem: nem assim, com os dois pés enfiados na merda, o cara consegue se abrir, se fazer entender, conseguir empatia de quem quer que seja. Tá, eu sei que a história é sobre alguém que consegui superar todas as adversidades – Senhor, não remova a montanha, me dê forças para subi-la, diz o canto gospel no culto do albergue. Mas, como disse, não consegui deixar de pensar que o cara não consegui comungar com ninguém da sua dor. Como resultado, sofreu muito mais do que deveria, e amargou talvez a pior sensação humana: a solidão.

"Companheiro, tô precisando da sua força. Você me ajuda?" Nunca esqueci essa frase da Erundina, pedindo voto em uma campanha para prefeito em 1998 (talvez por isso eu continue votando nela mesmo depois dela se atucanar). Que digam que isso é hipocrisia da parte dela (ou da minha), mas para mim isso é comunicar: é se revelar por inteiro, é pedir que o outro sofra com você, sorria com você, ponha-se no seu lugar.

No filme, Gardner prefere enfrentar tudo sozinho. Acho desnecessário. Que digam que isso é ingenuidade, mas acho que o mundo nos socorre, por pior que estejamos (a quem discorda, sugiro que conheça o trabalho do padre Júlio Lancelotti e da Toca de Assis com o povo da rua). Usemos a comunicação-comunhão para a procura da felicidade. A cada queda, invoquemos com humildade e confiança o mantra infalível:

"Me ajuda."

E alguém virá em seu socorro.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

De volta

Queridos amigos, voltei! Um mês após o prazo prometido, tamos aí, pro que der e vier. Confesso que as atualizações não serão assim tão atuais – mestrado, trabalho, projeto de um site encomendado pela chefia e uma tentativa de emplacar uma revista aqui na editora estão consumindo bastante do meu tempo. Mas prometo tentar satisfazer meus dois leitores com pelo menos um par de post por semana. A conferir!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Feliz Natal, Ótimo 2007. Sejamos felizes

Queridos amigos e amigas,

Nosso humilde blog já estava em operação tartaruga há uns 15 dias, mas agora é oficial: dentro de exatos 27 minutos, entro de férias. Momento para agradecer pela carinhosa leitura – melhor dizer, co-autoria – de cada um de vocês. No descanso que se segue, que possamos refletir, recarregar as baterias e sonhar com o nosso mundo melhor.

Na volta, é arregaçar as mangas!

Foi um prazer. Se Deus quiser, volto com todo o gás a partir de 8 de janeiro.
Feliz natal, ótimo 2007. Sejamos felizes.

Rodrigo.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Esculacho digital nos deputados

Tire um tempinho – uma hora, talvez – para infernizar a caixa postal dos deputados que se deram um auto-alto-aumento de salário de 91%. Os e-mails dos cornos e cornas está no fim deste post.

Se puder, não copie todos em lista. Mande mensagens personalizadas. Eu, por exemplo, escrevi textinhos singelos para todos os deputados de (muitas aspas agora) """""esquerda""""", os mais hipócritas da história. No final do post, minha mensagem ao Aldo Rebelo

Não funciona? Acho que funciona, sim. Ou melhor: tem alguma função. Algum impacto a militância virtual tem. Para boa parte dos parlamentares, funciona assim: mensagens que não são spam são lidas, por algum assessor que seja. Alguém sempre acaba ouvindo, essa é a minha hipótese.

De qualquer forma, mandar e-mail é melhor do que não fazer nada. E pior do que pegar os caras na saída.

Aliás, se você estiver em Brasília e tiver a oportunidade, dê um pedala bem dado em qualquer um deles por mim.

A lista:

Aldo Rebelo (PC do B-SP) - dep.aldorebelo@camara.gov.br - Presidente da Câmara, autor da proposta
Ciro Nogueira (PP-PI) - dep.cironogueira@camara.gov.br - Corregedor da Mesa
Jorge Alberto (PMDB-SE) - dep.jorgealberto@camara.gov.br - suplente da Mesa
Luciano Castro (PL-RR) - dep.lucianocastro@camara.gov.br - líder
José Múcio (PTB-PE) - dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br - líder
Wilson Santiago (PMDB-PB) - dep.wilsonsantiago@camara.gov.br - líder
Miro Teixeira (PDT-RJ) - dep.miroteixeira@camara.gov.br - líder
Sandra Rosado (PSB-RN) - dep.sandrarosado@camara.gov.br
Colbert Martins (PPS-BA) - dep.colbertmartins@camara.gov.br
Bismarck Maia (PSDB-CE) - dep.bismarckmaia@camara.gov.br
Rodrigo Maia (PFL-RJ) - dep.rodrigomaia@camara.gov.br - líder
José Carlos Aleluia (PFL-BA) - dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br - líder
Sandro Mabel (PL-GO) - dep.sandromabel@camara.gov.br
Benedito de Lira (PP-AL) - dep.beneditodelira@camara.gov.br
Givaldo Carimbão (PSB-AL) - dep.givaldocarimbao@camara.gov.br
Arlindo Chinaglia (PT-SP) - dep.arlindochinaglia@camara.gov.br - líder
Inácio Arruda (PC do B-CE) - dep.inacioarruda@camara.gov.br - líder
Carlos Willian (PTC-MG) - dep.carloswillian@camara.gov.br
Mário Heringer (PDT-MG) - dep.marioheringer@camara.gov.br - suplente da Mesa
Inocêncio Oliveira (PL-PE) - dep.inocenciooliveira@camara.gov.br - primeiro-secretário da Mesa
Renan Calheiros (PMDB-AL) - renan.calheiros@senador.gov.br - presidente do Senado, autor da proposta
Demóstenes Torres (PFL-GO) - demostenes.torres@senador.gov.br
Efraim Moraes (PFL-PB) - efraim.morais@senador.gov.br - primeiro-secretário da Mesa
Tião Viana (PT-AC) - tiao.viana@senador.gov.br - vice-presidente do Senado
Ney Suassuna (PMDB-PB) - neysuassun@senador.gov.br - líder
Ideli Salvatti (PT-SC) - ideli.salvatti@senadora.gov.br - líder

O e-mail para o Aldo:

Prezado deputado Aldo,
É difícil exprimir a decepção que você me causou ao liderar esse absurdo movimento pelos aumentos de salário dos parlamentares. Coisa de uma insensibilidade e de uma desfaçatez que envergonharia indivíduos de qualquer matiz ideológico. Vindo de um comunista, então, é algo inadmissível. Comunistas, socialistas, pessoas com um pingo de vergonha na cara tem de defender a igualdade, a solidariedade, os menos favorecidos. Nesta legislatura, vocês acabaram com a esquerda brasileira – você, em especial, tem grande parcela de culpa nisso. Vá fundo, refestele-se com seu auto-alto-aumento de salário. Que os quase 100 mil reais mensais sirvam ao menos para aplacar seu peso na consciência, se é que você tem alguma.

Sem mais,
Rodrigo Ratier

quinta-feira, dezembro 07, 2006

A mídia individual: perigo à democracia?

Artigo do site Worldchanging.com (em inglês) discute a tese de Cass Sustein, no livro Infotopia. Segundo Sustein, a tendência atual de cada internauta customizar as informações que deseja receber – a explosão do RSS é o melhor exemplo da chamada "mídia individual" – é um perigo à democracia. Diz Sustein:

"Se pudermos escolher nossa própria mídia, é possível que usemos esse poder para nos isolarmos em um casulo de informações que sistematicamente evitem vozes dissedentes. Isso gera dificuldades à participação democrática porque precisamos nos expor a pontos de vista que não havíamos considerado e precisamos de debate para tomada de decisões."

Apesar de um pouco alarmista (acho que a ampliação de possibilidades de informação com a web é muito superior a esse risco de isolamento), a tese de Sustein nos lembra da importância da opinião contrária. Há verdade e razão mesmo nas opiniões que nos parecem mais absurdas. Acho que a postura humilde diante da complexidade da realidade concreta é uma atitude essencial ao pensamento crítico.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Coisas que mostram que o ano valeu a pena

Recebi por e-mail da amiga Adriana Freitas Oliveira:

“Oi, Rodrigo. Tudo bem contigo?
Estou te escrevendo para contar que neste semestre na faculdade nós tivemos a disciplina “núcleo de aplicação e aprofundamento língua portuguesa e mídia”, na qual além de discutirmos e estudarmos teóricos que estudam mídia e educação, fizemos um roteiro e filmamos. O nosso curta tem aproximadamente 30 min e recebemos a nota máxima.
Modéstia à parte, ficou muito bom para um trabalho inicial. Gostaria que você visse a nossa produção, se quiser me envie o endereço e eu te mando pelo correio. Também não poderia deixar de agradecer pelo Mini-curso que você e o Aldo deram na USP, me ajudou muito como pessoa e no decorrer deste semestre na faculdade.
Beijo,
Adriana.”


Eu que agradeço por você me fazer sentir útil, Adriana.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Programa Vozes na TV

Do amigão Tonho Biondi e do Intervozes. Garantia de coisa boa:

Nesta semana terá início, ainda em caráter experimental, um programa do Intervozes na AllTV, uma das primeiras web-TVs do Brasil, chamado Vozes na TV, voltado para dar vez e voz para quem não tem espaço na grande mídia.

Para quem assistiu o Direitos de Resposta (www.direitosderesposta.com.br) na Rede TV ano passado, vale a pena conferir agora o Vozes.

Uma coisa bem legal: você pode interagir ao vivo com os participantes e apresentadores do programa, enviando mensagens pelo próprio site.

O programa será às quintas, das 16h às 17h (hora de Brasília), no site da AllTV (www.alltv.com.br). Seguem abaixo mais informações.

Abraços,

Antonho Biondi
Intervozes - www.intervozes.org.br

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Vozes na TV estréia dia 30 falando de Direito à Comunicação

No próximo dia 30 de novembro, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e ativistas dos Direitos Humanos no Brasil ganham na internet um espaço democrático para exercerem seu Direito à Comunicação.

Entra no ar o programa Vozes na TV, uma produção do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social para a AllTV (www.alltv.com.br).

O programa será um espaço de debates sobre o Direito à Comunicação, a Democratização da mídia no Brasil e sua importância para a construção de uma sociedade mais igualitária. Será também um ambiente para que movimentos e ativistas levantem suas vozes e ocupem a rede para falar da sua luta e debater sobre como a concentração da mídia e as políticas precárias de comunicação no Brasil interferem na efetivação e garantia destes direitos no país.

O Vozes na TV é semanal e tem uma hora de duração. Será exibido sempre ao vivo, às quintas-feiras, das 16h às 17h. O programa de estréia tratará do tema Direito à Comunicação.

Se você, sua organização, movimento ou coletivo tem uma sugestão de pauta, quadro ou convidados/as para o programa, escreva para: vozesnatv@intervozes.org.br
Para assistir e participar ao vivo: www.alltv.com.br
Estréia: 30/11/06

quinta-feira, novembro 30, 2006

Catadores: minha opinião

Publiquei os tópicos sobre a polêmica dos catadores porque, como ex-Ecano (e obviamente saudoso freqüentador da Festeca), esse assunto mexeu comigo. Mas acho que ele não está tão longe de comunicação e educação como se possa a princípio supor. Que mensagem estamos mandando com a proibição aos catadores (comunicação)? Que categorias mentais usamos para tomar tais decisões (socialização)? Que valores nortearam essa tomada de decisões (educação)?

Alguns pensamentos soltos sobre o tema:

1- USP = espaço público. Brasil = país pobre. Festa em espaço público tem de convivar com essa realidade. Eu acho simples assim. Quem quiser interditar entrada que a faça em espaço privado. Mas quem quer mudar o mundo não pode fugir desse diálogo necessário...

2- A lógica por trás da proibição – "fazer a balada dar certo" (sic.) – me parece que é a mesma lógica que separa a galera do abadá ("gente bonita", eufemismo para ricos) da pipoca ("gente feia", eufemismo para pobres) nos trios elétricos.

3- O direito de ir e vir não é apenas espacial, mas também temporal. Ou seja, os catadores têm direito de decidir quando começar a catar latas.

4- A comparação catadores-gente "perigosa" é descabida. Uma simples revista prévia (ou mesmo uma conversa, ou o bom senso) poderia garantir que os catadores não estivessem armados ou representassem qualquer tipo de ameaça.

5- Segurança na USP (e na sociedade em geral): não se pode partir de pré-julgamentos. Inocência presumida, isso é básico. Qualquer repressão deve ser posterior ao ilícito. E a interdição, a meu ver, não é ação preventiva, mas violação de direitos num espaço público.

6- Prevenção, para mim, é diálogo. Longe de ser panacéa, diálogo é trabalho longo, difícil e cheio de altos e baixos. Mas uma saída duradoura para esse conflito precisa ter como ponto de partida e de chegada o reconhecimento do outro e de suas necessidades. E isso, até onde eu sei, só ouvindo e falando. Mas ouvindo do que falando, eu acho.

Polêmica dos catadores: resposta da ECAtlética

Recebido também por e-mail. Omito novamente os nomes para não expor os envolvidos:

"A Q também viu os seguranças não deixando catar latinhas e veio falar comigo, conversamos e chegamos a um consenso em plena balada.

Sim, nos eventos da atlética, geralmente nao tem gente catando latinha no começo da balada. As pessoas não são IMPEDIDAS de entrar, sao impedidas de catar latinha! O espaço é público e todo mundo pode ir onde quiser. As pessoas podiam entrar a hora que quisessem. Eu e a segurança (16 seguranças) achamos mais fácil garantir a segurança para as pessoas quando não se tem um saco enorme pelo meio da balada enquanto ela está muito cheia. E outra, sempre vem algumas pessoas pedir para pegar latinhas, dizemos que elas podem pegar a partir de xis horas, lá pelas 3 ou 4, porque assim fica mais fácil para os seguranças porque a balada não está tão cheia e melhor pros próprios catadores, que não precisam ficar a noite toda na balada e pegam todas as latas do mesmo jeito.

Essas mulheres, crianças, homens podiam entrar, curtir a balada até umas 3h ou 4h, tirar sua sacola do bolso e começar a catar as latas. Não estou dizendo que roubariam alguém, mas ninguém! ninguém (nenhum aluno da eca, usp, morador de São Paulo, Brasil ou Japão!) entra com uma sacola grande antes das 3h da manhã! assim como ninguém entra com garrafa de vidro, faca, ou outra arma!

Sim, fui eu que disse que não podia entrar. Eu estava cuidando da segurança e tentando garantir que todas as pessoas da balada não fossem roubadas ou se machucassem no meio da noite, assim como tinha alguem garantindo que a sua breja estivesse gelada, que a sua música não parasse de tocar, que a luz não apagasse e que não faltasse troco para voce já de manhã.

Pense na segurança de todos porque nem eu e nem você iríamos entrar com uma sacola grande aquele horário! Se eu não pudesse garantir segurança para os ecanos não assinaria um termo de responsabilidade enviado para o diretor da ECA, para a Prefeitura do Campus e para a Guarda Universitária."

quarta-feira, novembro 29, 2006

Catadores de lata barrados na Festeca

Recebi por e-mail. Omito o nome das pessoas envolvidas para evitar constrangimentos:

Catadores são reprimidos por estudantes da USP
Atlética da ECA limita circulação de catadores no espaço da Universidade

Quase 23h, dia de festeca. Não poderia ficar porque no sábado eu acordaria cedo. Só dei uma passada após a aula. Não rolava a festa ainda, mas alguns tomavam cerveja. Eis que vejo o famoso X, "segurança" de muito tempo de nossa vivência, se dirigindo aos sempre presentes catadores de latas. "Vocês não podem ficar aqui não, tem que sair". E os "conduziu" para fora do espaço delimitado pela Atlética para a Festeca.

Quem recebeu o comunicado de impedimento foi um grupo composto por mulheres, senhoras e crianças, com a desolação e o cansaço do dia no rosto. Haviam também alguns homens, mas não os vi tomando a "chamada" – só os vi fora do cercadinho. Fui então perguntar ao Augustão o porquê da restrição aos catadores. "Só cumpro ordens", foi o que ouvi.

Bem próxima de nós estava uma menina da Atlética – até sei o nome, não cito pra não falar que sou agressivo. Ela disse: "Ah Z...não começa com esse papo... Olha a hora que é e 'eles' já querem lata". Perguntei o porquê da decisão. "Foi decisão da Atlética, a Y que decidiu". Pô, isso lá é argumento??? Insisti.

Logo apareceu um rapaz, cujo nome desconheço. Explicou pra mim "Meu, essa já é a não sei qual edição da Festeca e todos sabemos que é desagradável 'eles' ficarem passando no meio de todo mundo arrastando os sacos de lata, por isso vão ficar de fora". Como se não fosse suficiente, ele acrescentou "eles poderão trabalhar do mesmo modo, só que depois da festa, a quantidade de latas que vão pegar é a mesma. Umas seis da manhã abrimos para 'eles'".

Fui então falar com as mulheres, que já se postavam logo perto da entrada da Festa com ansiedade para entrar e, ao mesmo tempo, uma inércia de desânimo. "Esperaremos até abrir, se abrir à uma hora ou às seis...ficaremos até abrir".

O que temos aqui é uma situação de restrição de Direitos Humanos, da liberdade de ir e vir mais precisamente. O espaço não é meu, não é da menina que falou comigo, nem do X, nem da Atlética, nem do CA. É público. Se eu vestisse os catadores com terno eles passariam pela vista nada grossa da Atlética. Quem é que legisla por aqui??? Qual é nossa lei? Incomoda catadores ao lado do consumo de cerveja?

Como estudante da Escola sinto a necessidade de exprimir meu repúdio à esta atitude. Sinto tristeza de isso ocorrer na Universidade que eu estudo. Não é possível engolir um fato desse, sem tomar alguma atitude. Qual é o espírito crítico e de autonomia de ação que desenvolvemos em nossos cursos? O de assistir a violações de direitos e restrição à democracia? Que façamos algo, pelo menos discutamos isso."

terça-feira, novembro 28, 2006

Questões do mestrado (e da vida)

1- Quem determina nossas ações: nós mesmos (subjetivistas), as regras da sociedade (objetivistas) ou uma interação das duas coisas (praxiologistas)?

2- Tomamos nossas decisões baseados na nossa experiência passada (Bourdieu), na situação presente (Lahire) ou em um projeto futuro (Sartre)?

3- Temos uma identidade e um jeito de ser uno (Bourdieu) ou variável conforme nossos papéis sociais (Lahire)?

quinta-feira, novembro 23, 2006

Pequena Miss Sunshine

Se você não assistiu, melhor não ler, talvez. Tem uns spoilerzinhos...

Filme muito bacana. Uma família de disfuncionais, cada um disfuncional a seu modo. No começo, todos tentam se enquadrar, com teimosia e persistência – um viaja de lambreta para tentar seu programa de auto-ajuda, outro faz voto de silêncio até entrar na Força Aérea, um terceiro, por causa do amor não correspondido, tenta o suicídio (nada resta na impossibilidade de se enquadrar).

A exceção é o vovô, a meu ver a figura central do filme. Sua personalidade ecoa também no jeito de ser da mãe, mas o velho, para mim, é o cara. Expulso do asilo por usar heroína, agora só quer saber de cheirar e comer mulher. Seu estilo, por hedonista que seja, passa a moral central para transformação familiar: fodam-se os outros, tente ser você, seja você.

No final, a teimosia e a persistência continuam, mas agora na afirmação de identidades individuais livres de regras de oconduta, coerções e julgamentos. No final redentor, os superfreaks mandam a sociedade se fuder, literalmente. Uma materialização do que todos nós (ou será que só eu?) gostaríamos de fazer.

O problema é que a vida continua depois dos créditos...

quarta-feira, novembro 22, 2006

Ser humano = ser do mal?

Reflexão a partir do texto Somos muito safados?, artigo de duas partes do publicitário José Roberto Whitaker Penteado, publicado no jornal Propaganda e Marketing (1ª parte, fraquinha, aqui. 2ª parte, melhor, aqui).

Discutindo a lista da Transparência Internacional sobre a percepção de corrupção em 163 países, Penteado lembra que o Brasil estava "lá no meio, no 70º lugar; portanto há quase uma centena de nações com maior índice de safadeza [ou de percepção da safadeza] do que o nosso [incluindo os argentinos em 93º lugar. Viva]."

Ok, trivial. O que me levou a refletir foi o seu testemunhal e seu juízo de valor sobre a natureza do ser humano:

"Vivi algum tempo na Suiça, país considerado muito certinho, honesto, cumpridor, etc etc e fiz uma constatação estranha. De um modo geral (jamais se deve generalizar), as pessoas respeitavam as leis quase cegamente, mas – desde que não estivessem fazendo alguma coisa ilegal – não tinham qualquer escrúpulo em prejudicar, maltratar ou espoliar os semelhantes. Estudante – e pobre – passei por diversas inconveniências por causa disso, até me adaptar à malandragem local. Para não ser injusto com os suiços – entre os quais conto com bons amigos – ouvi observações semelhantes sobre a maioria dos países europeus e seus povos."

O ser humano é bom ou mal por natureza? Aliás, ele tem natureza – ou é tudo adquirido pela socialização (integração do indivíduo ao grupo)? Hobbes (acho que foi ele, ou algum outro clássico) disse que o estado de natureza do ser humano é a guerra civil. E que o Estado foi criado para evitar que os indivíduos se matem. Viver junto, então, é basicamente uma questão de segurar a onda e controlar impulsos primitivos.

Dá para ser feliz assim? Quem sabe com muita terapia para racionalizar o que é inconsciente? Anarquistas, como poderemos viver sem governo? Otimistas, como acreditar que o ser humano é bom? Subjetivistas, como prescindir do recalque da consciência coletiva?

Quero viver em sociedade, mas sem recalque, sem a necessidade de leis, ociosas porque o ser humano é bom – se não for por natureza, que seja por ele ele é socializado para o bem, o que dá no mesmo. Quem souber como conseguir isso, por favor, me conte.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Lições do professor do ano

Nos Estados Unidos, um professor de mídia, quem diria, ganhou o prêmio de Melhor Professor do Ensino Médio Nacional em 2006. Alan Weintraut é o cara, professor da Annandale High School na cidade de Annandale, no estado da Virgínia. Entre suas atribuições está a coordenação das edicões impresa e online do jornal estudantil A-Blast. Seu discurso de agradecimento está no site do Poynter Institute (em inglês). Destaco alguns trechos interessantes:

1- Adolescentes e a mídia impressa De acordo com uma recente pesquisa do Instituto Pew, hoje apenas 40% dos adultos americanos diz ter lido um jornal no dia anterior (em 1965, esse índice era de 71%). E um recente estudo do Instituto Carnegie mostrou que os adolescentes praticamente não lêem nenhum jornal.

2- A crise do jornalismo de TV Jornalistas “de verdade” (Cronkite, Murrow e Koppel) deram lugar a caras bonitas de aceitação previamente testada em pesquisas do tipo “focus group” (Cooper, Couric). O jovem, especialmente o aspirante a jornalista, se sente perdido com essa falta de modelos a seguir.

3- Adolescentes e a nova mídia Eles – assim como nós – querem notícias sob encomenda. Eles lêem blog, posts do listserv e notícias como nós fazemos. “Eu vejo o declínio na leitura de jornal, mas é altamente duvidoso dizer que os jovens não se importam com as notícias”. "Quando o “caçador de crocodilos” Steve Irwin morreu", diz Alan, "eu fiquei sabendo primeiro por uma mensagem de um aluno."

4- O professor como mediador da relação aluno-mídia
– Estudantes querem estar conectados a notícias que impactem suas vidas, mas às vezes eles precisam de nossa ajuda para serem desviados do Sudoku e de distrações similares.
– Nos ajudamos os estudantes a construir significados em seus mundos saturados de mídia
– Eles registram suas vidas com músicas, filmes e fotos de cada conquista. Algumas vezes, eles colocam tudo isso imediatamente na Web, para terem um feedback imediato, para re-reconstruir significado (Eu: que exemplo bacana da recepção como processo e não como momento, né!)
Beijos, bom fim de semana, bom feriado!

terça-feira, novembro 14, 2006

Segredos de uma boa história

Por John Brady, consultor da Brady & Paul Communications e colunista da revista Folio:, especializada em mercado editorial. Síntese de Bia Mendes, da Secretaria Editorial da Editora Abril:

"O principal elemento de uma boa história é uma boa idéia. A composição final:
50% – idéia
20% – reportagem
20% – visual
10% – texto
10% – edição"


Ele arremata dizendo que, às vezes, 100% não é suficiente (faça a soma e obtenha 110%). Você concorda?

sexta-feira, novembro 10, 2006

Viva as cotas

Do Blog do Emir de hoje, "Guia para ser ex-esquerdista", irônico artigo bastante descontrolado como um todo (defender Stálin não dá), mas com ao menos uma opinião com a qual concordo. Sobre cotas:
"Órgãos da mídia privada estão apinhados de ex-comunistas, ex-trotskistas, ex-esquerdistas em geral, “arrependidos” ou simplesmente “convertidos”". Para ser ex-esquerdista, é preciso "Pronunciar-se contra as cotas nas universidades, dizendo que introduzem o racismo numa sociedade organizada em torno da “democracia racial” – uma citação de Gilberto Freire e o silêncio sobre Florestan Fernandes são bem-vindos –, que o mais importante é a igualdade diante da lei e a melhoria gradual do ensino básico e médio para que todos tenham finalmente – vai saber quando, mas é preciso ter paciência – acesso às universidades públicas. Dizer, sempre, que o principal problema do Brasil e do mundo é a educação. Que empregos há, possibilidades existem, mas falta qualificação da mão-de-obra. Que o principal não são os direitos, mas as oportunidades – falar da sociedade norte-americana como a mais “aberta”."